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segunda-feira, 16 de julho de 2012

O que significa a palavra Igreja?





Na Bíblia a palavra "igreja"  nunca  se refere a um edifício. Não existe tal idéia na Bíblia. Igreja significa simplesmente assembléia ou a reunião das pessoas. Aí está o fato que muitas pessoas não entenderem, pois  consideram o significado da palavra igreja como sendo duas coisas: um edifício ou uma denominação. 

Tanto um significado como outro são estranhos à Palavra de Deus. Os homens os usam, mas não foram dados por Deus, uma vez que Ele não indicou aos cristãos que construíssem qualquer edifício (além daquele que é a própria casa de Deus, que é construído com pedras vivas ‑ Ef. 2:20‑22), e Ele tampouco criou alguma denominação ("ministérios"); muito pelo contrário, o apóstolo Paulo denuncia como carnalidade levar qualquer outro nome além do nome do Senhor Jesus (I Cor. 3:4).

Os cristãos devem, evidentemente, se reunir ao nome do Senhor Jesus (Mt. 18:20), para orarem, celebrarem a Ceia do Senhor lembrando a Sua morte, aprenderem da doutrina dos apóstolos e terem comunhão uns com os outros (At. 2:42). Isso pode ser feito numa casa, ou num edifício ou salão destinado ou não exclusivamente para este fim. É importante entender que o edifício onde tal reunião ocorre nada é. Não tem o mesmo caráter do tabernáculo no deserto, do templo de Salomão ou das sinagogas dos judeus.

Estamos numa nova aliança e  nada  temos a ver com o Antigo Testamento na sua forma de adorar.
No Antigo Testamento os homens não tinham o Espírito Santo com nós temos, habitando em nós. Cristo não havia sido morto e glorificado. Toda a adoração era exterior. Tudo mudou (leia João 4).

 O tabernáculo foi mandado construir pelo próprio Deus, que deu até mesmo as medidas, o mesmo ocorrendo com o templo. As sinagogas eram uma iniciativa dos judeus para ser apenas um lugar de leitura, e não tinham o caráter de um lugar de adoração (o qual estava em Jerusalém e em nenhum outro lugar ‑ Veja Deut. 12).

Hoje temos um tabernáculo, um lugar para entrarmos e adorarmos a Deus. Mas qualquer cristão que considerar um edifício de pedra ou tijolo (um lugar físico, enfim) como sendo o lugar de adoração, está desprezando o que diz a Palavra de Deus; está até mesmo rebaixando o lugar de adoração. 

"Ora a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da majestade, ministro do santuário, o qual o Senhor fundou, e não o homem... Tendo pois, irmãos ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é pela sua carne" (Hb. 8:1,2; 10:19,20).

Portanto, nosso santuário, nosso tabernáculo, o edifício santo onde podemos entrar para adorar está no céu! Não se encontra mais sobre esta terra, como no tempo da antiga dispensação. Não é mais feito por mãos de homens e não tem mais sacerdotes pecadores e falhos. Não, nosso lugar de adoração está no céu, tendo o próprio Senhor Jesus Cristo como nosso Sumo Sacerdote. Qualquer coisa menos do que isso é voltar ao judaísmo; é ficar "nas sombras" e deixar de usufruir o cumprimento da Palavra de Deus (Hb 8:4,5).

Espero que entenda que o cristianismo que você vê ao redor é uma mistura de judaísmo. Isso foi estabelecido pelo catolicismo romano, com seus templos consagrados, sacerdotes, altares, rituais, roupas especiais e todo o aparato para uma adoração exterior, como era no tempo do Antigo Testamento. Isso foi adotado em muitos pontos pelo protestantismo, que preservou a idéia de templos, sacerdotes (algumas denominações usam este termo para o pastor, como também chamam de altar o local onde está o púlpito) e rituais. Tudo isso tem a ver com o judaísmo e nós não estamos no judaísmo. Estamos em outra dispensação, ou seja, da GRAÇA

Tudo isso tende a uma adoração terrena, dentro de um sistema humano de ritos e lugares santificados. Cristo sofreu fora do arraial que representava todo o sistema judaico, e por isso a Palavra nos exorta a sairmos a Cristo ou para estarmos com Cristo, fora do arraial (o sistema religioso judaico), levando o Seu vitupério ou Sua rejeição "porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura" (Hebreus 13:10‑15).

Se temos que sair a Cristo, é porque Ele está fora de todo o sistema judaico. E a mesma situação você encontrará em Laodicéia, que representa os últimos dias da Igreja antes do arrebatamento: Cristo encontra‑se do lado de fora, à porta, batendo e esperando ser atendido por aqueles que ouvirem a Sua voz (Ap. 3:20). Embora esta passagem seja muito usada em evangelismo, dirigindo‑se ao pecador sem Cristo, no seu contexto está conectada à Laodicéia, ou seja, a cristãos. "...ouvir a minha voz" se refere à escutar a Palavra do Senhor, conforme é revelada nas Escrituras, e não ser levado pelos costumes dos homens.



por Mário Persona, com adaptações.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

O "ide por todo o mundo" não foi dado a Igreja?




Não, o "ide por todo o mundo" não foi uma ordem dada à igreja por uma razão bem simples: a igreja não existia antes de Atos 2. Portanto a ordem foi dada diretamente aos apóstolos em um tempo em que estavam na condição de discípulos judeus do Messias de Israel. Era uma ordem dada em um diferente contexto.


Existe muita confusão quando você aceita o que as denominações ensinam sem conferir no contexto do que cada coisa é ensinada na Palavra de Deus. A ênfase que muitas denominações dão ao evangelismo está fora de lugar se considerarmos que a igreja não é uma organização evangelística. 

Não é papel da igreja evangelizar, como se fosse uma organização missionária, e nem salvar o mundo da fome e da miséria, como se fosse uma ONG beneficente. A ocupação da igreja é com Cristo (não com incrédulos) em quatro atividades básicas, todas elas culminando na adoração:

Ats 2:42 E perseveravam na
 DOUTRINA DOS APÓSTOLOS, e naCOMUNHÃO, e no PARTIR DO PÃO, e nas ORAÇÕES.

E o evangelismo, não é importante? Sim, importantíssimo, mas a igreja é um corpo de adoradores, não de evangelistas.

Os adoradores Deus procura, os evangelistas Ele dá.

 A adoração é a ocupação com Deus, a evangelização é a ocupação com os incrédulos, no sentido de serem salvos para serem transformados em adoradores. Isso acontece "no mundo", e não na igreja, que é uma corporação formada por salvos.

Joã 4:2124 Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que
 nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade. 

Assim, o dom de evangelista é dado por Cristo a indivíduos para que saiam pelo mundo trazendo "matéria prima" para a igreja, ou seja, salvos. Os outros dons são voltados para os que já estão salvos.

Efs 4:11-12 E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para
 evangelistas, e outros para pastores e doutores, Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; 

As denominações ("ministérios") não compreendem o que é igreja, e o simples fato de serem denominações já demonstra isso (porque se compreendessem não teriam outro nome para identificá-las e nem agiriam como organismos independentes do corpo).

 Essa falta de compreensão também do que é adoração em assembleia faz com que fiquem quase sempre ocupadas com evangelismo, e isso pode chegar a um ponto tal que coloca um fardo sobre pessoas que não são evangelistas, isto é, não têm tal dom e são obrigadas a evangelizar.

 São traçadas metas, são feitos gráficos de crescimento, são feitos planos de alcance mundial e as pessoas são treinadas como se fossem uma tropa de choque. Tudo isso é planejamento humano, mas nada tem a ver com o dom que Cristo dá às pessoas.

A ordem de Jesus,
 "Ide por todo o mundo...", foi dada aos apóstolos dentro de um contexto do judaísmo, e não da igreja que só seria fundada algum tempo mais tarde (Edificarei a minha Igreja... repare o verbo no futuro. Mt16:18). 

Quer dizer que não devemos "ir" e evangelizar. É claro que devemos, porque tudo em Atos e nas epístolas nos mostra isso. Mas não podemos tirar um versículo do contexto para fazermos isso. Só entendemos corretamente as Escrituras quando as dividimos com a sabedoria que o Espírito nos dá. E é muito improvável que você entenda o caráter dos evangelhos se não entender corretamente as dispensações ou diferentes formas administrativas usadas por Deus ao longo da história.


2 Timóteo 2:15

(ACF) Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que
 maneja bem a palavra da verdade. 

(Darby) Strive diligently to present thyself approved to God, a workman that has not to be ashamed,
 cutting in a straight line the word of truth. 

Esse "maneja" é no sentido de cortar corretamente ou repartir e colocar cada coisa no seu lugar. E o lugar dos evangelhos é o Antigo Testamento. 



Tudo ali é judaísmo, porque Jesus veio para os judeus ("veio para o que era seu..."). Exceto duas únicas menções da igreja (Mt 16 e Mt 18), Jesus está tratando com judeus. Considerando que os judeus o rejeitariam ("...mas os seus não o receberam" Jo 1:11), então pode-se perceber que as instruções permanecem válidas para os judeus que irão se converter após o arrebatamento. Assim o"ide" é, em primeira instância, dirigido aos judeus convertidos que deverão pregar o "evangelho do reino" e não o "evangelho da graça de Deus".

Mar 16:15-20 E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão. Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus. E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor, e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém.
 

Eles realmente "pregaram por todas as partes", e sinais acompanharam sua pregação, o que aconteceu até nos primeiros tempos de Atos.

 Mas neste momento não foram pregar por todo o mundo. Para entendermos a Palavra é preciso discernir que também precisamos dividir a profecia referente ao mundo e a Israel. Por exemplo, quando você lê Daniel 9 precisará entender que existe uma divisão ali, um parêntese antes dos últimos sete anos "ou semana" da profecia, ou não terá como fechar a contagem de anos.

Dan 9:24-27 "Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos.

 E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo [romanos] do príncipe, que há de vir [esse príncipe é o anticristo], destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações. [ENTRA AQUI O PERÍODO DA IGREJA] E ele [o príncipe do versículo anterior, que é o anticristo futuro] firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador". 

Quer ver outra profecia que o próprio Senhor mostrou que precisava ser dividida para fazer sentido?

Luc 4:17 "E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito: O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração, A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do Senhor. E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.
 

Repare que ele parou a profecia em um determinado ponto, porque o restante dela ainda se cumprirá no futuro. Se ler a profecia toda em Isaías 61:1 verá que Jesus parou em
 "Apregoar o ano aceitável do Senhor", antes de dizer "... e o dia da vingança do nosso Deus". Isto porque o dia da vingança ainda virá  e entre uma coisa e outra entraria o período da Igreja. 

Mais um exemplo?

Pedro cita Joel em Atos como sendo aquilo que estava acontecendo naquele momento da fundação da Igreja:

Ats 2:16-21 Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos; E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão; E farei aparecer prodígios em cima, no céu; E sinais em baixo na terra, Sangue, fogo e vapor de fumo. O sol se converterá em trevas, E a lua em sangue, Antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor; E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
 

Será que vimos o Espírito ser derramado sobre TODA A CARNE? Será que vimos "prodígios em cima, no céu, e sinais em baixo, na terra, sangue, fogo e vapor de fumo"? Será que vimos o sol se converter em trevas e a lua em sangue? Não, porque Pedro mencionou a profecia porque apenas uma parte dela estava se cumprindo naquele momento. Se não tivermos discernimento podemos querer aplicar as coisas na época e situação erradas, causando grande confusão.

O que os apóstolos pregavam era confirmado com sinais, era bem semelhante ao que o Senhor pregava, era a mensagem do Reino e aqueles que eram curados os apóstolos certamente diriam para irem ao Templo oferecer os sacrifícios conforme exigia a Lei, pois era assim também que Jesus agia ao curar alguém.

Mar 1:44 E disse-lhe: Olha, não digas nada a ninguém; porém vai,
 mostra-te ao sacerdote, e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para lhes servir de testemunho. 

Luc_5:14 E ordenou-lhe que a ninguém o dissesse. Mas vai, disse,
 mostra-te ao sacerdote, e oferece, pela tua purificação, o que Moisés determinou, para que lhes sirva de testemunho. 


Essa primeira "evangelização" dos apóstolos obviamente foi interrompida pois tudo passou a ser diferente. Veja que a promessa do Senhor era de que eles não terminariam de percorrer toda a terra de Israel antes que o Senhor voltasse. Fica muito claro que isto ocorrerá no contexto da grande tribulação, ou seja, é uma ordem dada para um tempo que não tem nada a ver com a igreja:

Mat 10:23 Quando pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que
 não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do homem. 

Os apóstolos estavam em uma condição muito diferente da que nós hoje estamos como igreja. Eeles não tinham o Espírito Santo habitando em si, e a partir de Pentecostes já tinham. A própria mensagem de ir por todo o mundo não fazia muito sentido para aqueles judeus e basta lermos Atos para percebermos que houve muita relutância em entender que a igreja era um corpo formado por judeus e gentios igualmente salvos e com iguais privilégios. Foi somente com a revelação dada a Paulo do que era o corpo de Cristo que os outros apóstolos também passaram a entender a igreja.

Antes disso um gentio convertido ao judaísmo não tinha todos os privilégios que tinha um judeu. Por exemplo, o eunuco que se converte a Cristo em Atos 8 era um gentio convertido, um prosélito, que ia a Jerusalém adorar mas não podia nem entrar no templo, pois era eunuco (castrado) e a Lei não permitia seu acesso.
 

Deu 23:1 Aquele a quem forem trilhados os testículos, ou cortado o membro viril, não entrará na congregação do SENHOR.
 

Hoje (dispensação da graça), não pregamos como os apóstolos faziam nos evangelhos. Não anunciamos que o Reino de Deus é chegado porque o Reino já está aqui, não em sua forma manifesta porque o Rei foi rejeitado. Mas virá a ser instalado no mundo quando Cristo voltar para reinar.

 O evangelho que pregamos hoje é o da salvação pela fé em Cristo. No período da igreja que vemos em Atos, quando um apóstolo curava alguém ele já não dizia para a pessoa apresentar-se ao sacerdote em Jerusalém e fazer as ofertas exigidas pela Lei para sua purificação, como o Senhor fazia antes. Dá para perceber que estamos vivendo em uma outra dispensação?

Após o arrebatamento da igreja as coisas voltarão a ser bem parecidas com as condições dos tempos dos evangelhos. Haverá um governo que em muito se assemelhará ao império romano, porém com a introdução da democracia nele. É por isso que o último reino da estátua vista por Daniel tem os pés de ferro e barro.
 

Dan 2:33 As pernas de ferro; os seus pés em parte de ferro e em parte de barro.
 

O ferro era o mesmo material das pernas e representa o Império Romano, enquanto o barro nos fala de humanidade, pois o homem veio do barro. Democracia e o poder colocado nas mãos do povo, ou seja, o ferro do governo misturado com o barro da humanidade.

Nesse tempo (após o arrebatamento) as atenções se voltarão ainda mais para a Europa e Israel. É disso que fala praticamente todo o Apocalipse, com exceção dos primeiros 3 capítulos e dos últimos. Portanto, encare muito do que você encontra nos evangelhos como instruções que foram suspensas até que o mundo esteja novamente configurado para elas serem colocadas em prática.
 

O "ide" foi dado nesse contexto. Mas será que isto significa que não devemos "ir"? É claro que devemos, mas não como igreja, e sim como indivíduos, pregando o evangelho da graça de Deus e encaminhando aqueles que se convertem para estarem congregados onde o Senhor está no meio. O caráter individual (e não como "igreja") da evangelização fica muito evidente em passagens como estas:

Ats 8:4-5 Mas os que andavam dispersos iam por toda a parte, anunciando a palavra. E, descendo Filipe à cidade de Samaria lhes pregava a Cristo.
 

Ats 11:19-21 E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. E havia entre eles alguns homens cíprios e cirenenses, os quais entrando em Antioquia falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor.
 





por Mário Persona, com adaptações.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

SEGURANÇA, CERTEZA E GOZO Da Salvação Eterna, parte 4





O GOZO DA SALVAÇÃO

A Palavra de Deus nos ensina que, enquanto o crente é salvo da ira futura pela obra de Cristo, e tem a certeza da salvação pela Palavra de Deus, ele conserva a consolação e alegria pelo poder do Espírito Santo que habita em si (1 Co 6.19).

Convém lembrar que toda pessoa salva ainda tem em si o que as Sagradas Escrituras chamam de "carne", isto é, a natureza pecaminosa com que nascemos, e que começa a se manifestar desde a nossa mais tenra infância. O Espírito Santo no crente resiste à "carne", e fica entristecido sempre que ela se manifesta por pensamentos, palavras ou obras. Quando o crente procede de um modo digno do Senhor, o Espírito Santo produz em sua alma o seu bendito fruto: amor, gozo, paz, etc. (veja Gálatas 5.22). Porém quando ele procede de um modo carnal e mundano, o Espírito Santo é entristecido e, como consequência, falta, na vida do crente, este fruto espiritual.

Permita-me, leitor, expor sua situação, como crente, da seguinte forma:

A obra de Cristo e a sua salvação: Ficam em pé ou caem juntamente;

O seu comportamento e o seu gozo: Ficam em pé ou caem juntamente.


Se fosse possível a obra de Cristo cair por terra, o que graças a Deus nunca poderá acontecer, a sua salvação cairia juntamente com ela. Porém, quando por qualquer descuido você não tiver um comportamento próprio de um cristão, (o que pode muito bem acontecer), você ficará também sem desfrutar o gozo.

Em Atos dos Apóstolos, está escrito a respeito dos primeiros cristãos que andavam  "no TEMOR DO SENHOR e CONSOLAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO" (At 9.31);   e também   "os discípulos estavam cheios de ALEGRIA e do ESPÍRITO SANTO" (At 13.52).  Depois de sermos convertidos, o nosso gozo espiritual será sempre proporcional ao caráter espiritual do nosso comportamento.

Você percebe agora, leitor, em que consiste o seu engano? 



Você tem confundido duas coisas diversas, que são: a segurança da salvação, e o gozo que resulta dela.


 Se porventura você entregar-se à sua vontade-própria, ao seu mau gênio, ou aos prazeres mundanos, etc., o Espírito Santo Se entristecerá e logo você perderá sua alegria espiritual e talvez pense ter perdido também a sua segurança. Repito, porém, mais uma vez:

A sua SEGURANÇA depende da obra que Cristo fez por você.

A sua CERTEZA depende da Palavra que Deus dirige a você.


O seu GOZO depende de você não entristecer o Espírito Santo que habita em você.

Se você, sendo filho de Deus, entristecer o Espírito Santo, a sua comunhão com Deus Pai e com o Seu bendito Filho ficará, como consequência, logo interrompida; e enquanto você, arrependido, não reconhecer e confessar o seu pecado a Deus, aquela comunhão e aquele gozo não lhe serão restaurados.

Suponhamos que uma criança qualquer faça uma maldade. Sentindo que praticou o mal e desconfiando que seus pais já saibam do ocorrido, ela mostra logo em seu rosto os evidentes sinais de perturbação.



 Meia hora antes ela estava alegre a gozar juntamente com os pais de um passeio no jardim, agradando-se naquilo que agradava a eles também, e gozando aquilo que eles também desfrutavam. Em outras palavras, ela estava em comunhão com eles; tinham todos os mesmos sentimentos. Mas isso cessou num momento, e como criança travessa e desobediente, nós a encontramos agora em um canto, toda triste. Os pais, notando sua tristeza, perguntam-lhe pelo motivo, dizendo-lhe que, se tiver feito qualquer maldade, deve confessar tudo e eles a perdoarão; mas o orgulho e a teimosia a mantém ali calada.

Onde está agora a alegria que essa criança tinha há meia hora? Desapareceu completamente. Por que? Porque se interrompeu a comunhão entre ela e seus pais, devido à sua maldade. Mas o que é feito do parentesco que, há meia hora, existia entre ela e seus pais? Porventura desapareceu isto também? Acaso cessou ou se interrompeu? Certamente que não.

O seu PARENTESCO depende do seu nascimento.


A sua COMUNHÃO depende do seu comportamento.

Passado, porém, algum tempo, ela sai do canto, onde tinha permanecido, e já arrependida e com o coração quebrantado, humilha-se e confessa toda a sua falta, do princípio ao fim, de modo que os pais percebem que ela odeia agora, tanto quanto eles, a sua desobediência e travessura. Então, tomando-a nos braços, cobrem-na de beijos. A sua alegria restabelece-se, porque também a sua comunhão com os pais está agora restabelecida.

Lemos que o rei Davi, tendo em certa ocasião pecado gravemente, se arrependeu e voltou-se para Deus orando: "Torna a dar-me a alegria da tua salvação" (Sl 51.12). Notemos que não pediu que lhe fosse restituída a salvação, mas a alegria da salvação.

Imaginemos agora o caso de outra maneira. Suponhamos que enquanto a criança se encontrava no canto, soluçando e sem dar provas de querer reatar comunhão com seus pais, se ouvisse um grito de "Fogo!" O que iria ser da criança? Porventura seus pais a deixariam naquele canto para ser consumida pelo fogo que devora a casa? Impossível! Seria até mais provável que ela fosse a primeira pessoa que os pais tirariam para fora de casa e poriam a salvo.
 Todos devem saber perfeitamente que o amor de parentesco é uma coisa, e que o gozo da comunhão é outra inteiramente diferente.

Ora, quando um crente cai em pecado, a sua comunhão com Deus Pai fica por algum tempo interrompida, e falta-lhe o gozo até que, com o coração contrito, se volte para o Pai e Lhe confesse os seus pecados. Então, confiando na Palavra de Deus, sabe que está de novo perdoado; porque a Sua Palavra claramente diz que: "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça" (1 Jo 1.9).


Assim, pois, ó filho querido de Deus, lembre-se sempre destas duas importantes verdades: que não há nada tão forte como o LAÇO DE PARENTESCO; e nada há tão frágil como o LAÇO DA COMUNHÃO. Todas as forças e todas as maquinações da terra e do inferno reunidas não podem quebrar o primeiro, ao passo que basta apenas um pensamento impuro, ou uma palavra leviana, para quebrar imediatamente o segundo.

Se porventura você tiver alguma vez a sua alma atribulada, humilhe-se perante Deus, e examine a sua consciência. E quando você tiver descoberto o ladrão, o pecado que lhe roubou a alegria, traga-o para a luz da presença de Deus; isto é, confesse o seu pecado a Deus, seu Pai, e julgue-se a si mesmo, pelo seu descuido e pela falta de vigilância da sua alma que, assim, deixou entrar às escondidas o inimigo. Mas não confunda nunca, NUNCA, a sua segurança com o seu gozo.

Não imagine, todavia, que o julgamento de Deus é menos severo contra o pecado do crente, do que contra o do incrédulo. Ele não tem dois modos diferentes de tratar com o pecado. Seria impossível a Deus passar por alto, sem julgar, tanto os pecados do crente como os do incrédulo que rejeita ao Seu precioso Filho. Há, porém, entre os dois casos a seguinte diferença:

O pecado do crente foi previsto por Deus, havendo-o lançado sobre Cristo, o Cordeiro divino, quando Este foi crucificado no Calvário. Ali, de uma vez para sempre, foi levantada a grande questão criminal da sua culpa, recaindo o castigo, que o crente merecia, sobre o seu bendito Substituto.
 "Levando Ele mesmo em Seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro" (1 Pd 2.24). O incrédulo, porém, que rejeita ao Senhor Jesus Cristo, há de sofrer, ele próprio, as consequências eternas dos seus pecados no lago de fogo.

Ora, quando um crente comete uma falta, a questão criminal do pecado não pode ser suscitada novamente contra ele, porque o próprio Jesus, constituído agora o Juiz de todos, é Quem a resolveu de uma vez para sempre sobre a cruz; porém a questão da comunhão é levantada dentro da sua alma pelo Espírito Santo, todas as vezes que o crente O entristece.

Permita-me que, em conclusão, me sirva de outro exemplo. Imaginemos uma noite serena e magnífica, com a lua brilhando com o seu maior esplendor. Um homem está olhando atentamente para um lago profundo, em cuja superfície a lua se reflete admiravelmente e, dirigindo-se a um amigo que está ao seu lado, lhe diz:

- Como a lua está linda esta noite, tão cheia e brilhante!

Porém, apenas acaba de falar, seu companheiro deixa cair uma pedra dentro do lago e logo o primeiro exclama:

- Que é isto? a lua fez-se em pedaços, e os seus fragmentos estão batendo uns contra os outros na maior confusão!

- Que absurdo! - responde seu companheiro. - Olhe para cima e você verá que a lua não mudou em coisa alguma. A superfície da água do lago, que a reflete, é que sofreu mudança, ficando agitada.

Amigo crente, aplique a você mesmo este simples exemplo. O seu coração é como o lago. Quando você não concede nele lugar para o mal, o bendito Espírito de Deus revela a você as perfeições e glórias de Cristo, para sua consolação e gozo.
 Mas no exato momento em que você acolhe em seu coração um mau pensamento, ou que de seus lábios escapa uma palavra ociosa, sem ser logo julgada, o Espírito Santo começa, por assim dizer, a alterar a superfície do lago, e a sua felicidade e gozo se desvanecem fazendo com que você fique inquieto e perturbado até que, com espírito quebrantado diante de Deus, Lhe confesse o pecado que tem sido a causa da sua perturbação. Aí então ficará restaurado o sossego de seu espírito, e você desfrutará de novo o gozo da comunhão com Deus.

Enquanto o seu coração se sente assim intranquilo, porventura você acha que a OBRA DE CRISTO SOFREU ALGUMA MUDANÇA? Isto jamais poderá acontecer; e por conseqüência também a realidade da sua salvação não sofreu mudança. Mudou a PALAVRA DE DEUS? É claro que não. Então permanece inabalável a certeza da sua salvação. O que foi que mudou então? A AÇÃO DO ESPIRITO SANTO em você. Ele, ao invés de lhe mostrar as glórias do Senhor Jesus, e de assim encher o seu coração com o sentimento do valor da Pessoa e da obra de Cristo, Se vê na necessidade de deixar essa preciosa ocupação para encher a sua consciência com o sentimento do seu próprio pecado, sua fraqueza e sua falha.
Ele o privará de sua consolação e de seu gozo enquanto você mesmo não se julgar, reprovando o mal que Ele julga e reprova. Porém, quando isto acontece, restabelece-se novamente a sua comunhão com Deus. Que, pela graça do Senhor, tenhamos sempre uma santa vigilância sobre nós mesmos, a fim de não entristecermos "o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção" (Ef 4.30).

Querido leitor, por mais fraca que seja a sua fé, fique certo de que o bendito Senhor em Quem você tem depositado sua confiança jamais mudará. "Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e ETERNAMENTE" (Hb 13.8).
A OBRA de Cristo consumada jamais mudará: "tudo quanto Deus faz durará ETERNAMENTE: nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar" (Ec 3.14).
 A PALAVRA por Deus pronunciada jamais mudará. "Secou-se a erva, e caiu a sua flor: mas a palavra do Senhor permanece PARA SEMPRE" (1 Pd 1.24,25).

Assim, pois, o alvo da nossa fé, o fundamento da nossa esperança, e a base da nossa certeza, são igualmente perduráveis. Com confiança então podemos já cantar: 


Ó Deus e Pai, Te agradecemos
A paz, perdão e Teu amor;
Com gratidão reconhecemos
Que temos parte em Teu favor.


Permita-me, pois, leitor, que pergunte a você uma vez mais: "Em que classe você está viajando?" Eleve a Deus o seu coração e dê-Lhe já, sem demora, a sua resposta.

"Quem a Deus não crê mentiroso o fez: porquanto não creu no testemunho que Deus de Seu Filho deu" (1 Jo 5.10).
"Aquele que aceitou o Seu testemunho, esse confirmou que DEUS É VERDADEIRO" (Jo 3.33).

Querido leitor, meu desejo é que a alegre certeza de possuir esta tão grande salvação encha o seu coração e domine toda a sua vida, agora e até que Jesus venha.





George Cutting (+ 1934) 

SEGURANÇA, CERTEZA E GOZO Da Salvação Eterna, parte 3





O CONHECIMENTO DA SALVAÇÃO

Antes, porém, de procurarmos o versículo que você deve ler cuidadosamente, o qual nos ensina COMO UM CRENTE PODE SABER QUE TEM A VIDA ETERNA, permita-me citá-lo de maneira errada, ou seja, da maneira como muitos parecem entendê-lo: 

"Estes alegres sentimentos vos dou a fim de saberdes que tendes a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus". Compare agora isto com a bendita e inalterável Palavra divina, e permita Deus que você possa se firmar nela, rejeitando todos os pensamentos vãos.

 Ora, o versículo de que falei é o versículo 13 do capítulo 5 da Primeira Epístola de João, que na Bíblia (Versão Almeida Atualizada) está escrito assim: "ESTAS COISAS VOS ESCREVI a fim de SABERDES que TENDES a vida eterna, a vós outros que credes em o nome do Filho de Deus".

A história sagrada do Antigo Testamento nos relata um acontecimento que explica exatamente o modo pelo qual nós podemos ter a inabalável certeza da salvação de que o versículo acima nos fala. Esse acontecimento é a saída do povo de Israel da terra do Egito, o que lemos no capítulo 12 do livro de Êxodo.

 Como podiam os primogênitos do povo de Israel saber, com toda a certeza, que estavam seguros durante aquela terrível noite da Páscoa, quando Deus derramava sobre o Egito o Seu tremendo castigo?
 Vamos supor que nos encontramos no Egito nessa solene ocasião, e que visitamos duas das casas dos israelitas. Na primeira casa encontramos toda a família aterrorizada e cheia de receios, dúvidas e incertezas:

- Qual é o motivo de tanta palidez e medo?- perguntamos.

- Ah! - responde o primogênito, - o anjo da morte vai atravessar a terra do Egito esta noite, e não sei o que será de mim quando chegar a meia-noite. Só depois que o anjo exterminador tiver passado por nossa casa, e a hora do juízo tiver terminado, é que saberei que estou salvo, mas antes disso não sei como posso ter a certeza de que nada me há de acontecer. Os nossos vizinhos do lado dizem que têm certeza da sua segurança, mas acho que isso é ter muita presunção. O melhor que eu posso fazer é passar esta longa e terrível noite esperando que tudo me saia bem.

- Porém - inquirimos - o Deus de Israel não providenciou um meio de segurança para o Seu povo?

- Certamente que sim - responde ele - e nós já usamos esse meio. O sangue de um cordeiro de um ano, cordeiro sem defeito algum, já foi devidamente espargido com um molho de hissopo sobre a verga e ombreiras da porta; mas apesar disso, não temos ainda plena certeza de que eu esteja seguro.

Deixemos agora esta pobre gente, atribulada e cheia de dúvidas, e entremos na casa ao lado.


 Que notável contraste se apresenta logo à nossa vista! A paz e o sossego brilham em todos os rostos. Ali estão todos, de cajado na mão, a comer o cordeiro assado e já prontos para caminhar.

- Qual é o motivo de tão grande tranquilidade em noite tão solene? - perguntamos.

- Ah! - respondem todos - estamos aguardando as ordens de Jeová, nosso Deus, para sairmos de viagem, quando então daremos as últimas despedidas ao chicote do tirano e à cruel escravidão do Egito.

- Mas esperem! Vocês estão se esquecendo de que à meia-noite o anjo de Deus vai percorrer a terra do Egito, ferindo de morte os primogênitos...?

- Sabemos disso muito bem, mas o nosso filho já está perfeitamente seguro porque já espargimos o sangue na porta, segundo a vontade e ordem do nosso Deus.

Mas também os vizinhos fizeram o mesmo, - respondemos, - e contudo estão todos tristes, porque não têm nenhuma certeza de segurança.

- Ah - diz o primogênito com firmeza - mas nós não temos somente o sangue espargido: temos também uma confiança absoluta na Palavra inabalável do nosso Deus.


 Deus disse: "Quando Eu vir o sangue, passarei por vós". Portanto Deus fica satisfeito VENDO O SANGUE lá fora, e nós aqui dentro ficamos descansando na SUA PALAVRA.


 O sangue espargido é a base da nossa segurança.
 A palavra proferida por Deus é a base da nossa certeza de salvação.

Porventura há alguma coisa que possa tornar-nos mais seguros do que o sangue espargido, ou que possa dar-nos mais certeza do que a Palavra proferida por Deus? Nada, absolutamente nada. Eis a razão da nossa paz!

Ora, leitor, qual dessas duas famílias você acha que estava mais ao abrigo da espada do anjo da morte?

Talvez você diga que era a segunda, onde todos gozavam daquela tranquila confiança. Você está enganado: ambas estavam igualmente seguras, pois a segurança de ambas dependia, não dos sentimentos dos que estavam dentro da casa, mas sim da maneira como Deus apreciava o sangue espargido fora da casa, sobre a porta. Se você quiser ter a certeza da sua própria salvação, leitor, não dê atenção aos seus sentimentos, mas sim ao testemunho infalível da Palavra de Deus. 

"Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim TEM a vida eterna" (Jo 6.47).

A fim de esclarecer mais este ponto, vou me valer de um simples exemplo tirado da vida cotidiana. Certo lavrador, não tendo pastagens suficientes para o seu gado, e ouvindo dizer que uma bela pastagem próxima à sua casa está para alugar, comunica ao proprietário seu interesse em arrendá-la. Passa-se algum tempo sem que receba resposta do proprietário. Enquanto isso, um vizinho visita o lavrador e lhe diz:

- Estou certo de que ele alugará a pastagem a você. Você não se lembra de que no último ano o proprietário enviou-lhe um presente de caça, e não recorda também da maneira como o cumprimentou quando passou por sua casa há alguns dias?" Eis agora o lavrador todo cheio de esperanças!

No dia seguinte encontra-se com outro vizinho, que durante a conversa lhe diz:

- Receio que você não poderá usar aquela pastagem. Ouvi dizer que o sr. Fulano também a quer, e você sabe como ele é amigo do proprietário.

Esta notícia faz desvanecer as esperanças do pobre lavrador; e assim continua ele; um dia muito esperançoso, outro dia cheio de dúvidas. Por fim recebe uma carta pelo correio e, ao reconhecer a letra do proprietário da pastagem, abre-a com viva ansiedade; mas à medida que vai lendo, o sobressalto vai se transformando em satisfação que se lhe retrata no rosto.

- Está tudo resolvido,- exclama, dirigindo-se à sua esposa; - acabaram-se as dúvidas e os receios! O proprietário diz que me arrenda a pastagem por todo o tempo que eu quiser, e em condições muito favoráveis. Isto me basta; agora já não me importo mais com a opinião de ninguém, seja lá quem for; a palavra do proprietário assegura-me a posse.

Quantas pobres almas há por aí, às quais acontece o mesmo que aconteceu ao lavrador; andam agitadas e perturbadas porque escutam as opiniões dos homens, ou se ocupam com os pensamentos e sentimentos dos seus próprios corações, ao passo que, se com sinceridade recebessem a Palavra de Deus, como sendo a Palavra de Deus, as dúvidas que os atribulam cederiam imediatamente seu lugar à CERTEZA.

As Escrituras dizem que aquele que crê está salvo, e que aquele que não crê está condenado. Não pode haver dúvida, nem em um caso nem em outro, pois é Deus Quem o diz, e para o crente de coração sincero a Palavra de Deus resolve tudo. "Porventura diria Ele, e não o faria? ou falaria, e não o confirmaria?" (Nm 23.19). Deus tem falado, e o crente, satisfeito, pode dizer:


Mais provas não exijo eu
Nem mais demonstração;
Já sei que Cristo padeceu
Para minha salvação.


Mas, talvez haverá alguém que ainda pergunte: "Como hei de saber com certeza se tenho a verdadeira fé?" A esta pergunta temos que responder com outra pergunta:



"Você tem fé no verdadeiro Salvador: isto é, no bendito Filho de Deus?" A questão não é saber se a sua fé é muita ou pouca, forte ou fraca, mas se a Pessoa em quem você colocou a sua confiança é digna dela.
Há alguns que se agarram a Cristo com uma energia semelhante à do homem que se afoga.

Há outros, porém, que apenas tocam, por assim dizer, na orla do Seu vestido; mas os primeiros não estão mais seguros do que os últimos. Todos fizeram a mesma descoberta, isto é, que em si mesmos não há nada em que possam confiar, mas que podem todavia fiar-se seguramente em Cristo, podem fiar-se tranquilamente na Sua Palavra, e podem, portanto, descansar com toda a confiança na eterna eficácia da Sua obra perfeita.


 É isto que se entende por crer nEle, e é Sua a promessa: "Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim, tem a vida eterna" (Jo 6.47).

Portanto, cuidado leitor; não ponha a sua confiança nas suas boas intenções ou no seu arrependimento e penitências, ou em quaisquer outros atos religiosos, nem mesmo nos seus piedosos sentimentos, nem na educação moral que possa ter recebido, nem em quaisquer outras coisas semelhantes. 

É até possível que você confie firmemente em algumas destas coisas, ou em todas elas juntas, e contudo venha a perder-se eternamente; porém a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, por mais fraca que seja, salva eternamente,


 ao passo que a fé, mesmo que forte, em outra coisa ou pessoa qualquer é apenas o fruto de um coração enganado.

Deus, no Evangelho, apresenta a você o Senhor Jesus Cristo, e diz: "Este é o meu Filho amado, em Quem Me comprazo" (Mt 3.17).



É como se Deus dissesse: "Ainda que você não possa confiar em si mesmo, pode contudo confiar sem receio em Jesus". Bendito, mil vezes bendito Senhor Jesus! Quem não há de confiar em Ti e exaltar o Teu nome?

- Creio deveras nEle, - disse-me um dia uma jovem, com certa tristeza, - todavia não me atrevo a dizer que estou salva, com receio de dizer talvez uma mentira.

Esta jovem era filha de um negociante de gado em uma pequena vila, e seu pai havia ido, naquele mesmo dia, à feira e ainda não tinha voltado.

- Suponhamos agora - disse-lhe eu - que quando seu pai voltar você lhe pergunte quantas ovelhas comprou hoje, e ele responda: "Dez". Suponhamos ainda que logo em seguida entre um freguês e lhe pergunte: "Quantas ovelhas seu pai comprou hoje?" Porventura você responderia: "Não me atrevo a dizer, com receio de mentir"?

Nisto, a mãe da menina, que escutava nossa conversa, disse com certa indignação: - Isso seria o mesmo que dizer que seu pai é mentiroso.

Ora, querido leitor, você não percebe que essa menina, embora bem intencionada, estava realmente a fazer do Senhor Jesus um mentiroso, quando dizia:


"Eu creio no Filho de Deus, porém não me atrevo a dizer que tenho a vida eterna, porque receio dizer talvez uma mentira"? Que incredulidade!

- Mas, - alguém poderá dizer, - como posso ter a certeza de que realmente creio? Tenho me esforçado muitas vezes para crer, e procurado ler no meu íntimo se o tenho conseguido; mas quanto mais penso na minha fé, a mim menos parece que eu creia.

Meu amigo, a maneira como você olha para estas coisas não poderia ter outro resultado, e o fato de você dizer que se esforça para crer demonstra claramente que não compreende a questão. Deixe-me, portanto, apresentar-lhe outro exemplo para explicar melhor este ponto.

Suponhamos que você se encontre certa noite em sua casa e entre alguém dizendo que o chefe da estação da estrada de ferro acaba de morrer esmagado por um trem. Acontece, porém, que esse indivíduo que lhe traz a notícia há muito tempo é tido em toda a vizinhança como um grande mentiroso. Você acreditaria nele, ou se esforçaria para acreditar nele?

- Decerto que não! - você me responderá prontamente.

- E por que não?

- Porque eu o conheço bem demais para saber que é um mentiroso.

- Mas, - pergunto - como é que você sabe que não crê no que ele disse? Será que para isso você precisou examinar sua fé?

- Não; é porque sei que o homem que me dá a notícia não é digno de confiança.

Pouco depois entra um outro indivíduo e diz:

- O chefe da estação foi hoje atropelado por um trem e ficou esmagado.

Após ele sair, escuto você dizer prudentemente:

- Agora estou quase crendo que seja verdade, pois conheço este homem desde pequeno e pelo que me lembre, só me enganou uma vez.

- Ora, - pergunto eu de novo, - será que desta vez você sabe que quase crê por ter examinado sua própria fé?

- Não; é porque tenho em conta o caráter de quem me dá a notícia.

Este homem acaba de sair de sua casa e entra um terceiro. Este, que é um amigo que lhe inspira a mais absoluta confiança, não faz mais do que confirmar a notícia. Desta vez então você diz:

- Agora é que creio, João; por ser você quem está me afirmando isto, eu posso crer.

Insisto ainda na minha pergunta, que como você há de recordar, é apenas um eco da sua:

- Como é que você pode SABER agora que crê tão positivamente no que disse o seu amigo?

- É porque conheço bem a pessoa e o caráter dela - você me responde. - Nunca, em toda a sua vida, me enganou, e não a julgo capaz de fazê-lo.

Pois bem, é justamente por esta razão que eu também sei que creio no Evangelho: é por ele me ser mandado pelo próprio Deus.



 O apóstolo João diz: "Se recebemos o testemunho dos homens, o TESTEMUNHO DE DEUS é maior; porque o testemunho de Deus é este, que de Seu Filho testificou... quem a Deus não crê mentiroso O fez: PORQUANTO NÃO CREU NO TESTEMUNHO que Deus de Seu Filho deu" (1 Jo 5.9,10).
 E Paulo diz: "Creu Abraão a Deus, e isso lhe foi imputado como justiça" (Rm 4.3).

Em certa ocasião uma pessoa ansiosa pela salvação disse a um servo de Deus:

- Ah! senhor, eu não posso crer! -, ao que lhe respondeu o pregador com muito acerto:

- É verdade?... E em QUEM você não pode crer? - Esta simples pergunta foi suficiente para lhe abrir os olhos. Até ali tinha pensado que a fé era alguma coisa misteriosa que deveria sentir dentro de si, e que sem senti-la não poderia ter certeza da sua salvação.



 Mas afinal a fé do crente faz com que ele olhe, não para si mesmo, mas, ao contrário, para Cristo e para a Sua obra consumada no Calvário, e o leve a aceitar confiadamente o testemunho que um Deus fiel dá acerca de ambos e assim alcança a paz.


 Quando uma pessoa se volta para o sol, a sua sombra fica para trás; assim também quando nos voltamos para Cristo glorificado no céu, não mais nos preocupamos conosco.

Fica pois demonstrado que a bendita PESSOA do Filho de Deus ganha a nossa confiança; a Sua OBRA CONSUMADA nos dá segurança eterna; e a PALAVRA de Deus, acerca de todo o que nEle crê, nos dá a certeza inalterável de tal segurança. Encontramos em Cristo e na Sua obra o caminho da Salvação; e na Palavra de Deus o conhecimento da Salvação.

- Mas - dirá talvez o leitor, - se tenho a vida eterna, como é que tenho sentimentos tão inconstantes, perdendo com frequência toda a minha alegria e consolação, achando-me sem paz e quase tão triste como antes de ter sido convertido?

Esta pergunta nos leva a tratar do próximo ponto que é: O gozo da salvação, próxima postagem...